sábado, 4 de setembro de 2010

BRINCADEIRAS PERVERSAS

Revista Mente&Cérebro - Edição 181 - Fevereiro 2008


BRINCADEIRAS PERVERSAS - I

O bullying é caracterizado por violência recorrente, desequilíbrio de poder e intenção de humilhar; a prática, freqüente nas escolas, pode levar as vítimas à depressão e ao Suicídio.
Por Cleo Fante*

No ambiente profissional essas práticas ocorrem tantas vezes que chegam a ser vistas como “normais”. De acordo com a frequência e a intensidade os atos podem se caracterizar como assédio moral. Há grande probabilidade de que suas consequências afetem a saúde mental de trabalhadores, comprometendo a autoestima, a vida pessoal e o rendimento profissional, resultando em queda da produção, faltas frequentes ao trabalho, licenciamentos para tratamento médico, abandono do emprego ou pedidos de demissão, alto grau de stress, depressão e, em casos extremos, suicídio.


© THOMAS GORDON/ISTOCKPHOTO

EXCLUSÃO SOCIAL: fofocas, apelidos pejorativos, ameaças, isolamento e calúnias transformam a vida de muitos estudantes em verdadeiro inferno

No contexto familiar, a violência pode ser vista como “prática educativa” ou forma eficaz de controle, validada pela maioria que a presencia ou a vive, incluindo a própria vítima. Tanto no contexto profissional quanto na família há estreita ligação de dependência – afetiva, emocional ou financeira – entre os protagonistas. Isso faz com que as vítimas em geral se calem e carreguem consigo uma série de prejuízos psíquicos.

Pesquisas mostram que grande parte daqueles que sofreram abusos psicológicos na infância utilizará na vida adulta essas práticas na educação de seus filhos, acreditando ser esse o procedimento mais adequado. Outros se tornarão submissos, passivos, indefesos, acreditando ser merecedores dos maus-tratos. Muitos ainda reproduzirão a violência no espaço socializador imediato à família, ou seja, na escola.

BRINCADEIRAS PERVERSAS -II


O despertar para a gravidade desse comportamento teve início há cerca de duas décadas, primeiro na Suécia e anos depois na Noruega, onde a questão se tornou tema de estudos científicos. O pesquisador norueguês Dan Olweus, professor da Universidade de Bergen, reconhecido internacionalmente como pioneiro nas investigações sobre o fenômeno, observou os altos índices de suicídio entre os estudantes e constatou a relação com o bullying na escola.

Aos poucos, o tema despertou interesse em outros países, inclusive no Brasil. Nossos estudos sobre a temática são recentes, datam de 2000, motivo pelo qual muitos ainda desconhecem o tema, sua gravidade e abrangência. Apesar dos recentes estudos, pesquisas revelam que 45% dos estudantes brasileiros estão envolvidos diretamente no fenômeno.

Assim como no mundo dos adultos, os autores de bullying planejam meticulosamente seus ataques. Escolhem dentre seus pares uma “presa” que pareça vulnerável – aquela que não oferecerá resistência, não revidará, não denunciará e nem conseguirá fazer com que outros saiam em sua defesa. Desferem seus golpes de modo a humilhar, constranger, difamar, menosprezar, excluir a vítima e intimidá-la de forma direta ou indireta. Para isso, se utilizam de várias estratégias, como apelidos pejorativos, comentários maldosos, calúnias, gozações, piadas jocosas relacionadas à sexualidade, insinuações, assédios, ameaças, danificação ou furto de pertences, empurrões, chutes, socos, pontapés, invasões e ataques virtuais, entre outras.

Esse tipo de comportamento preocupa pais e educadores de todo o mundo, especialmente por envolver crianças muito novas. O bullying pode ser identificado a partir dos 3 anos, quando a “intencionalidade desses atos já pode ser observada”.

*Cleo Fante é consultora educacional, doutoranda em ciências da educação da Universidade de Ilhas Baleares, Espanha, pesquisadora do bullying escolar, vice-presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar (Cemeobes) e autora do livro Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz (Verus, 2005).

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Projeto Anti Bullying no 1º ano

No mês de junho, aconteceu um encontro entre a Psic. Ms. Ádria Assunção e os alunos do 1 ano “C”, explicando o que é o bullying, como identificá-lo na sala de aula e que medidas podem ser tomadas caso eles vivenciem a situação.

Fiquei impressionada com a participação dos meus alunos. As crianças, de 6 anos em média, mostraram que sabem o que é “Bullying” e que estão dispostas a entrar na luta para extingui-lo.

Durante a palestra, as crianças não apenas se manifestaram, ressaltando algumas atitudes que retratam esse mal que ronda as escolas, mas também elaboraram algumas estratégias para acabar com ele caso o identifiquem em nossa escola.

Um fato que chamou a minha atenção foi quando uma aluna motivou toda a turma a participar do GAB*. Segundo a minha pequena sábia, o GAB é como uma liga da justiça e nós somos os super heróis que a compõem. Certamente, esse momento de reflexão e diálogo, vivenciado pelos alunos do 1º ano “C”, poderá contribuir para que nossas crianças sejam capazes de conviver com mais harmonia, respeitando os outros e exigindo o respeito que merecem. Portanto, assumamos nossa missão de heróis e heroínas: salvar a Escola, o Brasil e o planeta do Bullying e de toda e qualquer forma de violência!

Faça a sua parte!

Prof.ª Priscilla de Andrade S. Ximenes
Professora Alfabetizadora do Colégio Externato São José





* Grupo Antibullying é um grupo formado por alunos dos 8ºs anos, sob a orientação da Psic. Ms. Ádria Assunção, que tem como objetivo principal conscientizar toda a comunidade escolar sobre os prejuízos e consequências do Bullying por meio de práticas educativas.